Ubatuba Viagem

Irmãos do Veleiro Katoosh visitam Ubatuba e recarregam as energias para continuar viagem

Os irmãos aproveitam para matar as saudades da família em Ubatuba

A história da vida dos meninos que decidiram dar a volta ao mundo a bordo do Veleiro Katoosh

Neto e Lucas ganharam espaço na mídia quando partiram para a viagem, mas, mais ainda, quando ficaram alguns dias à deriva após um pequeno incidente com uma baleia, na região da Polinésia Francesa, que afetou diretamente o leme da embarcação e, devido a prazos para conserto e tempo de permanência, obrigaram os irmãos a retornarem ao Brasil para entrar com a solicitação de um novo visto em território francês (o Katoosh está, atualmente, no Taiti).

Enquanto as providências burocráticas estão sendo tomadas, eles aproveitaram para voltar a Ubatuba, matar a saudade dos pais (mesmo já tendo dois encontros após o início da viagem), de casa, da rotina e descansar um pouco – afinal, parece só diversão, mas essa viagem dá muito trabalho. “Não é uma rotina pacata”, eles garantem.

“Estávamos com saudade de tudo na real, não só da família, mas de casa, de tomar um banho quente, da comida, de poder falar em português, dos amigos, de tomar açaí, das frutas (que são muito caras lá fora)…No barco, queira ou não, é uma preocupação diária. Você dorme, mas está sempre alerta para ver se não vai entrar um vento ou acontecer algo. Aqui o telhado não vai sair voando”, elencaram.

Os dois contaram que tudo exige muita atenção, principalmente, o planejamento. “A gente não sabe por onde a gente vai passar. Temos uma ideia geral. Por exemplo, sabíamos que íamos passar pelo Caribe, mas são muitas ilhas…. É impossível saber exatamente onde você vai parar”, explicou Neto. Além disso, o barco demanda manutenção constante e reformá-lo foi o primeiro grande desafio, porém que, sem dúvidas, forneceu a eles a bagagem necessária para conseguir fazer qualquer reparo.

A convivência e criação deles no ambiente do Katoosh facilitou e muito a intimidade com os afazeres e procedimentos necessários. Cozinhar sempre foi um prazer (muitas coisas eles aprenderam “na marra”), mas a habilidade foi aprimorada ao longo do tempo, principalmente, na época universitária.

Acervo – O acervo deles é imenso. Tudo o que é compartilhado, de acordo com os irmãos, não é nem um por cento do que eles têm de material. Está tudo muito organizado, pois o objetivo é que esse conteúdo gere outros frutos- dentre eles, a possibilidade da publicação de um livro.

Desafios – As barreiras do idioma são, muitas vezes, superadas “na raça”. Em algumas ocasiões, a saída foi utilizar aplicativos e mimicas, pois, em algumas localidades, o povo não é tão receptivo e não fala inglês, o que complica um pouco. Mas em se tratando de amizades e contatos, o perfil deles no instagram (@veleiro.katoosh), além de funcionar como diário de bordo, foi o que viabilizou vários encontros e experiências, pois muitos seguidores que os acompanham têm conhecidos em países que, inesperadamente, eles estão visitando. Então, acabam recebendo indicações. “A gente também se impressiona como tudo isso acontece. Ajuda muito. Quando você chega e já tem alguém para indicar o que fazer é muito bom”, afirmou Neto.

“Quando chegamos à Ilha de Páscoa, por exemplo, uma seguidora nossa conhecia um morador de lá. Ele abriu as portas da casa dele, ofereceu para usarmos a internet e nos levou para darmos uma volta na ilha”, exemplificou Lucas. Normalmente, o tempo de permanência em cada local é a data limite do visto concedido.

Desenvolvimento humano

Por falar em descobertas e aprendizados, a viagem e o intercâmbio de culturas, aliado a novas amizades e várias experiências gerou uma reflexão durante a conversa sobre as lições que têm sido agregadas. Para eles, o maior aprendizado foi a vivência de mundo, aprendendo, principalmente, com a diversidade. “Já visitamos mais de 20 países. Então, é diferente em cada lugar – a cultura, a alimentação, o costume. Em termos de aprendizado a gente pôde ver como o mundo é diferente”, compartilhou Neto.

“É difícil quantificar o quanto aprendemos de pesca, de mergulho… É um aprendizado constante. Inclusive, foi muito louco voltar para cá, porque saímos uma pessoa e agora que a gente está chegando aqui, a cabeça totalmente diferente, muito mudada. Apesar de ser pouco tempo, se for ver, um ano e meio, mas o que vivemos parece que faz muito mais”, concluiu Lucas.

Ubatuba

De volta à Ubatuba na última semana, o objetivo é permanecer até a solução das questões burocráticas, que devem durar até o final de outubro. Enquanto isso, eles estão experimentando voltar temporariamente à vida normal, refazer exames e aproveitando os reencontros. Está, também, prevista a participação em uma regata de Recife a Fernando de Noronha em meados do próximo mês.

Sobre o encerramento da viagem, a expectativa é que dure mais uns dois anos, mas esse prazo pode ser estendido… afinal….viver é uma grande aventura.

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