Cidades Ubatuba

Professores indígenas de Ubatuba debatem ações pedagógicas em eventos online

Ideia da iniciativa é fazer com que os alunos respirem a alma da comunidade e se reconheçam no local de estudos

No período de isolamento social e suspensão das aulas presenciais, professores indígenas e não indígenas das aldeias Boa Vista e Renascer discutem, por videoconferência, o Projeto Político Pedagógico (PPP) com docentes convidados.

De acordo com o supervisor de ensino de Ubatuba, Vitor Paulo Fida Da Gama, a ideia foi desenvolvida por toda a comunidade escolar, com o apoio da Diretoria de Ensino (vinculada à Secretaria da Educação do Estado), para tentar fazer com que a escola indígena tenha mais a cara da comunidade.

“Quando o PPP constrói esse diálogo, o professor vai considerar a comunidade em que ele está. É um documento construído coletivamente, com participação do corpo docente, da comunidade tradicional e dos professores. O projeto sugere que a escola passe a respirar a comunidade e que o aluno se reconheça no conteúdo e na metodologia da escola”, ressalta Vitor.

Diálogo

O encontro, que acontece todas as terças-feiras, traz professores convidados para discutirem algum tema. Nos quatro encontros até agora, foram discutidas as histórias de comunidades indígenas – como se organizam com a sociedade e a relação com o trabalho, o diálogo entre os saberes tradicionais e os saberes do currículo e a trajetória do aluno indígena até a universidade.

“A gente percebe isso, coisa parecida, com escolas da periferia. A escola precisa se reconhecer como parte integrante da comunidade. Não é só ter um endereço com a rua de lá, esse reconhecimento é construído coletivamente, considerando os sujeitos que constituem a escola”, acrescenta o supervisor de ensino.

“O currículo propõe expectativas de aprendizagem para todos, independente do lugar, sem considerar as diferenças de valores culturais em que ele vive. O PPP é responsável por construir a ponte entre o que está previsto no documento oficial e os saberes socialmente construídos pela comunidade de pertença”, conclui.

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