Cultura São Sebastião

Capelinha da Enseada aguarda intervenção municipal desde 94 

De Parque Ecológico a Centro Cultural, projetos não se concretizam e local está inativo há 24 anos 

Por Leonardo Rodrigues

A antiga Capela do Senhor Bom Jesus no bairro da Enseada, Costa Norte de São Sebastião, aguarda pacientemente uma intervenção do município. Conhecida atualmente como a Capelinha da Enseada, o local está abandonado desde 1994, quando por causa da duplicação da rodovia o acesso ao templo ficou prejudicado. De lá para cá, muito se propôs, mas nenhum projeto se concretizou e o local continua inativo.

Com a construção da segunda via da Rodovia Manoel Hyppolito do Rego (SP-55), foi firmado uma lei municipal 943/94, durante a gestão do então prefeito Luis Alberto de Farias, que transferiu a responsabilidade da Capelinha à Prefeitura. A lei então criara áreas de interessa histórico-cultural, que compreende por exemplo a Capelinha da Enseada, com finalidade de proteger e preservar o imóvel e seu entorno contra a descaracterização.

Um acordo entre a cidade e os freis da Paroquia Nossa Senhora do Amparo – responsáveis na ocasião pela Capelinha, acordou-se que a comunidade tivesse outro local para atividade da igreja dentro do bairro da Enseada. Assim, foi feita permuta em que a área da Capelinha foi cedida ao município, em troca de local na Avenida Dario Leite Carrijo, onde foi construída a Capela do Bom Jesus, que hoje, integra a Paroquia Santa Rosa de Lima.

Centro Cultural – 

A Secretaria Municipal de Obras informa que existe um projeto em andamento para a recuperação da Capela da Enseada. A Prefeitura analisa se esta obra pode ser incluída dentro dos recursos previstos no projeto maior de revitalização da Orla da Enseada, anexa à Praça do Kite Surf. Contudo, a Administração Municipal não informa nada quanto a cronograma de obras ou previsão de inauguração.

Em junho do ano passado, a Prefeitura revelou pretender criar ali o Centro Cultural de Memória da Enseada, que iria reunir a história da população local. Como um memorial, que contasse a história e as tradições da região. O projeto do restauro estaria em fase final de conclusão e seria encaminhado “em breve” à licitação.

Na ocasião, o padre Marcos Vinicius Rosa, da Paróquia Santa Rosa de Lima, do bairro do Jaraguá, comentou ter ouvido, junto com a comunidade da Costa Norte, a promessa do próprio prefeito, Felipe Augusto (PSDB) de uma “intervenção rápida” no lugar. Ambos estiveram em reunião com a população para prestação de conta das ações do Poder Executivo na região, no dia 22 de junho de 2017.

Segundo Felipe Augusto, o padre chegou a cogitar a remoção da estrutura em razão do mal estado. “O padre tinha a preocupação em isso trazer uma má imagem à igreja”, comentou. Porém, o prefeito disse estar realizando estudos para recuperação na Capela.

Kitsurf  – 

A tentativa da atual Administração de integrar a revitalização da Capelinha como parte de um Complexo Cultural da Orla da Enseada, pode levar tempo. Isso porque, apesar das intenções, não há ainda um cronograma de obras, tendo em vista que a Praça do Kitesurfe ainda se encontra em processo de perícia judicial, uma vez que a empresa responsável pela obra abandonou o empreendimento. Com isso, prazos dependem dos trâmites legais exigidos pela Justiça.

Contudo, o projeto na Capela da Enseada faz parte do Departamento de Urbanismo, da Secretaria de Habitação (Sehab), para revitalização do patrimônio histórico e cultural de São Sebastião. Segundo o departamento de Urbanismo, o cuidado estético da capela é um símbolo da comunidade caiçara, que na torre, posterior a construção, colocou enfeites de conchas. Em vista que a igreja foi construída entre as décadas de 20 e 50 por esforço da comunidade da Enseada, em área de uma família tradicional do bairro.

Em maio do ano passado, a Capelinha recebeu mutirão de limpeza que retirou do local colchões velhos, roupas, alimentos e sujeira. As equipes da Regional Norte reforçaram os serviços de roçada e limpeza interna e externa. Segundo a administração municipal, o local estava servindo como abrigo para pessoas em situação de rua.

A equipe da Regional também providenciou uma lavagem completa da capela e já realizou pintura na parte externa, bem como isolamento da porta de entrada da igreja.

Parque Ecológico – 

Mas a Prefeitura não abriga apenas o projeto de um Centro Cultural na antiga Capelinha. Em 2004 cogitou-se a criação de um Parque Ecológico Cultural da Enseada, no entorno da antiga Capelinha do Senho Bom Jesus. O projeto para a implantação de um Parque Ecológico considerava que o entorno da Capelinha é uma das últimas áreas à beira-mar não ocupadas do município – o que proporciona lazer e bem estar ao cidadão.

A idéia consistia na preservação do local, com áreas de lazer, esporte e de estudos do meio ambiente. A proposta ressaltava ainda o valor religioso, histórico, artístico e turístico. O projeto previa ainda um programa permanente de revitalização e conservação dos córregos vindos dos três bairros da Costa Norte da cidade.

Com isso, foi apresentado ao Poder Público um abaixo-assinado – que ainda contou ainda com assinaturas de clubes, de representantes da Diocese de Caraguatatuba e da Paróquia Nossa Senhora do Amparo. Nas 122 páginas, o documento reúnia 2.226 assinaturas.

O projeto, considerado de iniciativa popular, teve sua autoria as arquitetas Fernanda Palumbo e Izabel Galvez, e que encontrou guarida das Associações de Bairro da Enseada (Ambe), Jaraguá (Asabaja) e também do São Francisco (Asasf). Além do apoio do  Clube Atlético Guarani e Real Master.

Projetos não faltam para devolver vida ao local. O jeito é crer que um dia as ideias sairão do papel.

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