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Especialista em Direito da Família, Maria Cândida Brondani explica como identificar possível agressor

Na última entrevista de uma série sobre violência doméstica com profissionais que atuam com o tema aqui no Litoral Norte (a primeira foi com a Delegada de Caraguatatuba Patrícia Casanova Crivochein e a segunda foi com a Defensora Pública Maria Camila Azevedo Barros), vamos falar com a advogada e Representante da OAB no Conselho Municipal da Condição Feminina de Caraguatatuba, Maria Cândida Silva Cezar Brondani e chamar atenção para o que é importante notar em características do parceiro ou no relacionamento que sugerem um possível agressor.

Diante dos dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública que mostram que a cada dois minutos uma mulher é agredida fisicamente no Brasil a advogada aconselha que “ao iniciar um relacionamento, sempre aconselho mulheres a pesquisarem a vida pregressa dos(as) pretendentes. Analisar se são bons filho(a)s, irmãos e amigo(a)s, motivos do término nos relacionamentos anteriores, antecedentes criminais, cíveis e trabalhistas, posturas éticas pessoais e profissionais, são algumas características que dão uma segurança mínima, sobre a personalidade do pretendente. Muito embora, não exista uma maneira 100% segura de que essa mulher não sofrerá uma violência, essas dicas alertarão sobre possíveis riscos”.

A especialista pontua ainda que parceiros com características como “a intolerância, agressividade, ciúme excessivo, desrespeito à individualidade, ameaças, domínio pessoal e material, descontrole emocional” são outras características muito comuns em perfis de homens agressivos. Portanto, “atenção aos primeiros sinais”.

É importante notar que avanços – tímidos – aconteceram e a sociedade já não aceita calada uma cultura em que as mulheres sejam tratadas como seres inferiores e submissos, sobre isso a advogada argumenta que “é chegado o momento de não mais tolerarmos essas reproduções, nem tampouco perpetuá-las em nossa sociedade. É chegada a hora de ressignificarmos essas posturas machistas, seja nos homens, sejam nas próprias mulheres e respeitarmos a existência de cada indivíduo como seres, dignos de direitos, liberdades e oportunidades, de maneira equânime e definitiva”.

A profissional explica que normalmente a vítima de violência doméstica tem medo de denunciar e “esse medo muitas vezes ocorre quando é longo o período de convivência com um agressor. Há estudos que descrevem esse medo, ou essa inercia, de Síndrome do Desamparo Aprendido, mas isso não significa que essa mulher não terá condições de realizar tal feito, sendo de extrema importância a comunicação da situação vivenciada com pessoas do círculo de confiança dessa mulher, para que essa pessoa possa ajudá-la, seja fortalecendo, seja “metendo a colher”, tomando a iniciativa de denunciar às autoridades competentes”.

Maria Cândida aconselha que mulheres que sofrem algum tipo de violência busquem ajuda, os municípios do litoral norte disponibilizam redes de apoio à vítima e seus filhos: “em Caraguatatuba, existe a rede municipal, que recentemente criou um fluxo de atendimento em defesa da mulher, onde assim que procurados, a mulher em situação de violência doméstica e familiar será, juntamente com seus filhos serão encaminhados aos serviços disponíveis, que são o CIAM – Centro Integrado de Atendimento à Mulher – local onde essa mulher precisa ser acolhida e encaminhada aos profissionais técnicos das áreas da psicologia, assistência social e jurídica, e havendo necessidade, aos demais aparelhos públicos que sejam necessários para a sua proteção, empoderamento e ressignificação dessa mulher. Em São Sebastião, existe a Casa Poderosa, que também atende mulheres em situação de violência e Ubatuba, o serviço público também tem aprimorado referidos atendimentos”.

Se você, caro leitor, faz parte do poder público, da imprensa e/ou da comunidade saiba que é possível ajudar. A Doutora explica como isso é possível e pede que todos participem e lutem pelo fim da violência doméstica, “o poder público necessita de ferramentas públicas amplas, especializadas, capacitadas, eficientes e prontas para atender essas vítimas e tratar os agressores, pois sem tratar esses agressores, esse ciclo nunca será rompido. A imprensa e comunidade precisam participar levando informações de conteúdo, de como identificar tais violências, serviços de atendimentos disponíveis a receber denúncias, encorajando pessoas a denunciar, a identificar e ajudar uma vítima, e sim, em caso de violência, ‘meter a colher’ e buscar ajuda, evitando um trágico desfecho”.

*Texto: Claudinéia Silva